Annecy: Estréia mundial de Despicable me 3 e programação para um público diversificado

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Humberto Gollabeh

Visto como referência em filmes de animação, e também o mais antigo festival dedicado ao gênero, o Annecy International Animated Film Festival acontece de 12 à 17 de junho. A meca da animação que surgiu na década de 1960 acontecia uma vez a cada 2 anos, mas como veio ganhando notoriedade, em 1998 passou a ter edição anual.

Desde o inicio de abril o festival vem anunciando exibições espeiciais, mas só hoje foi possível conhecer a programação completa. Despicable me 3 tem sua estréia mundial no festival, o que também aconteceu com suas duas últimas versões e Minions. A exibição acontecerá no dia 14 de junho com a presença dos diretores Kyle Balda, Pierre Coffin e o co-diretor Éric Guillon.

Também com exibição muito aguardada está a estréia de Cars 3, onde será apresentado o footage de Coco e o curta-metragem Lou. A animação The big bad fox and other tales, direcionada ao público adulto, tem atraído atenção e pode ser considerada um dos pontos altos do evento.

A cerimônia de abertura ficará por conta do filme Zombillenium (Bélgica/ França) com o autor e diretor Arthur de Pins e o co-direotr Alexis Ducord, antecedida pela exibição do curta Chronique panoramique.

O festival recebeu 2850 inscrição de filmes combinando todas as categorias de mais 95 países. Esse número representa um aumento de 5%, se comparado ao ano de 2016. Para se chegar a seleção oficial foram assisitidas aproximadamente 400 horas de filmes.

Mostra competitiva

In This Corner of the World, de Sunao Katabuchi, Japão

Ethel and Ernest, de Roger Mainwood, Inglaterra , Luxemburgo

Big Fish & Begonia, de Xuan Liang, Chun Zhang, China

Loving Vincent, de Dorota Kobiela e Hugh Welchman, Polônia e Inglaterra

Animal crackers, de Tony Bancroft, Scott Christian Sava e Jaime Maestro, Estados Unidos

Have a Nice Day, de Jian Liu, China

A Silent Voice, de Naoko Yamada, Japão

Lu Over the Wall, de Masaaki Yuasa, Japão

Tehran Taboo, de Ali Soozandeh, Alemanha

Zombillenium, de Arthur de Pins e Alexis Ducord, Bélgica, França

Fora de Competição

1917 – The Real October, de Katrin Rothe, Alemanha

Ana y Bruno, de Carlos Carrera, México

Ancien and the Magic Tablet, de Kenji Kamiyama, Japão

Deep, de Julio Soto, Espanha

I’ll Just Live in Bando, de Yong Sun Lee, Coréia do Sul

In the Forest of Huckybucky, de Rasmus A. Sivertsen, Noruega

Little Heroes, de Juan Pablo Buscarini, Venezuela

Lost in the Moonlight, de Hyun-joo Kim, Coréia do Sul

Richard the Stork, de Reza Memari e Toby Genkel, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo, Noruega

Rudolph the Black Cat, de Kunihiko Yuyama e Motonori Sakakibara, Japão

Tad, the Lost Explorer, and the Secret of King Midas, de Enrique Gato Borregán, David Alonso, Espanha

Tea Pets,de Gary Wang, China

The Man Who Knew 75 Languages, de Anne Magnussen, Pawel Debski, Noruega

Programa para todos os públicos

Vários eventos recebem o público do lado de fora do cinema. Assim é possível aproveitar o a sessão e as altas temperaturas da de lado de fora. É verão! O festival apresenta filmes em 4 teatros a céu aberto e os ingressos são gratuítos.

A mostra Erotic Animation: tastes and Colours , com curadoria de Marco Blois, destinada ao público adulto, promete elevar ainda mais as temperaturas nas noites de verão, somadas as sessões especiais da meia-noite que organiza um programa subversivo, apimentado e sexy.

O mundo tem se voltado para a China em aspectos cultrais e economico, além do país ter traçado seu caminho pela animação e mostrado ambições internacionais nesse mesmo gênero.O Chateau d’Annecy irá receber um exposição sobre o país que também tem uma mostra no festival.Os Trabalhos do artista Sun Xun com a sua performance poderão ser conferidos durante o festival.

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FIFF: Ótima programação, atmosfera única e belos dias de primavera

Humberto Gollabeh, Fribourgo

O festival international de cinema de Friburgo, na Suíça, chega a sua 31° edição e mostra porque é um dos principais festivais da Suíça. É de um prazer imenso ir a um festival com uma boa curadoria e organização impecável . Não é possível comparar em números o evento com outros festivais de cinema e nem é esse o objetivo,  mas é de total relevância mencionar que Friburgo é, de fato, international. Com pouco mais de 36 mil habitantes são duas as línguas oficiais da comuna. O francês falado por 22 mil pessoas e o alemão por aproximadamente 7500 habitantes. Diga-se de passagem que um terço da população é composto por imigrantes.

Dados os números, o festival abriga uma atmosfera que propicia debates e o fazer cinematografico. A maioria das projeções acontecem nos cinema REX e Arena Cinemas, o que torna saída de um filme ao outro mais rápida, sem o risco de perder a sessão e ainda sobrar um tempinho para espresso. Afinal de contas, festival sem café não é festival.

Todas as sessões tem legendas em inlglês, alemão e francês. Desta forma, vale muito a pena agendar as próximas férias em Friburgo e curtir o festival. Durante os seus 9 dias de duração a programação exibe 140 filmes de 45 paises, mas nesta edição não tem nenhum filme brasileiro.

O evento tem a seleção oficial competitiva e as mostras paralelas: Genero Cinema – Ghost stories, Decryption – A cinematic cabinet of curiosities, Diaspora – Myret Zaki e Egito, Homenagem a Freddy Buache, além da mostra Novo território que está dividida em duas categorias: Nepal e Uma visão dos forasteiros sobre o Nepal. Essa  é primeira vez que o pais recebe uma mostra em festival. O fato se torna ainda mais interessante porque o pais produz quase 100 filmes por ano e o apredizado de muitos desses profissionas se dá na prática, quando colaboram com equipes de estúdios estrangeiros em filmagens no Himalaia.

O FIFF tem ainda um bar e restaurante no centro do festival, onde é possivel apreciar os belos dias de primavera regados a uma taça de Chardonnay ou Sancerre entre uma sesssão de cinema e outra, mas é preciso ficar de olho no relógio, pois como é natural e esperado em festivais (e ainda mais em solos suíços) as exibições começam pontuamente nos horários agendados.

Os tickests podem ser adquiridos online através do website do FIFF ou na bilheteria dos cinemas. Os ingressos custam em média 17 francos, mas leva vantagem quem compra um passe diário por 45 francos e faz reserva online para os filmes

O que vimos:

Obscure, 2017

Soudade Kaadan /Líbano, Síria

 

Traumatizado pela guerra, o  pequeno Ahmad quer esquecer que é um garoto sírio. O documentário mostra como as lembranças da vida na Síria tem se apagado por causa do trauma. Cheio de nuances e silêncios o filme nos conduz por um série imagens que trazem referença a liberdade ou falta dela. Note em uma cena que a galeira está trancado com um cadeado e as tentativas da psicóloga em integrar Ahmad nos jogos e reconstruir algumas de suas memórias.

The Student, 2016

Kirill Serebrennikov /Rússia

Na Rússia dos dias atuais, um jovem estudante está convencido de que as forças do mal estão dominando o mundo. Numa sociedade que já aparenta ser conservadora, o rapaz questiona o credo e a moral dos adultos ao seu redor. O drama começa realmente quando o conflito do estudante se dá com a professora de biologia que acredita na ciência.

The Cinema Travellers, 2016

Sirley Abraham / India

O documentário apresenta belas imagens e é uma homenagem ao cinema,  a celuloide e aos que os protegem de tecnologias avançadas. É possível rir e se identificar com a histórias desses homens que cruzam a India para levar a magia da imagem em movimento para um público que fica extasiado nas sessões e, algumas vezes, irritado com problemas na exibições.

The Himalayas, 2015

Lee Seok-hoon / Coréia do Sul

 

Beaseado em fatos reais, o filme narra a história de um famoso aposentado alpinista que embarca numa expedição para resgatar o corpo de seu amigo Park Moon-taek. O filme rendeu mais de 50 milhões de doláres de bilheteria na Coréia do Sul.

Kati Kati

Cannes: Nicole Kidman aparece em quatro produções, Netflix tem dois filmes; Brasil fica fora

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O Festival de Cannes anunciou a seleção do filmes da sua 70 edição e parece que Hollywood não dá as caras em peso, como em edições anteriores. Dos 1930 filmes se candidaram para o festival, que acontece entre 17 e 28 de maio, a organização escolheu 18 filmes para edição oficial. A abertura do evento ficará por conta do francês „Les Fantômes d’Ismael“, que tem Marion Cotilard, Charlotte Gainsbourg, Louis Garrel e Mathieu Amalric no elenco com direção de Arnauld Desplechin. O filme que será exibido fora de competição desenrola a história de um cinesasta que vê a sua vida virada ao avesso pelo surgimento de uma ex-namorada no ínico da filmagem do seu novo filme.

Também foram anunciados outros 16 filmes que compõem a mostra paralela „Un Certain Regard“, mais quatro longas fora de competição e outras 3 exibições da meia-noite, além das exibições especiais e eventos celebram os 70 anos de vida do festival.

Como destaque na corrida pela Palma de Ouro estão nomes como Michael Haneke, Sofia Copolla, e o diretor francês Michel Hazanavicius, cujo filme arrematou os prêmios de melhor filme, melhor diretor e melhor ator nos Oscar de 2012. Haneke exibe o filme „Happy End“, que narra a vida de família que reside perto de um campo de refugiados em Calais. Se arrebatar a Palma de Ouro, Haneke será o único cineasta em atividade que tenha conquistado 3 Palmas de Ouro. Sofia Copolla exibe „The Beguilled“, uma versão da história de um soldado americano ferido durante a Guerra Civil Americana que é tratado num internato de moças localizado atrás das linhas do inimigo, com Corlin Farrel e Nicole Kidman no elenco.

A atriz australiana Nicole Kidman será vista em quatro produções durante o festival: no filme de Sofia Coppola e „The killing of a Sacred Deer“, do cineasta grego Yorgos Lanhimos, conhecido pelo aclamado „The Lobster“, de 2015. Além da comédia romântica „How to talk to Girls at Parties“ e de um episódia das série televisiva de Jane Campion „Top of the Lake“

Na lista de filmes selecionados não aparece nehum filme brasileiro, o que pode ser resultado dos 27 filmes apresentados nos festivais de Berlim, Rotterdam e Sundance. No entanto, a 56 semana da Crítica em Cannes será presidida pelo brasileiro Kleber Mendonça Filho, diretor do elogiado Aquarius. Quem aparece no festival e gera um burburinho é a Netflix, que acerra a corrida pela Palma de Ouro com o filme Okja, do diretor sul-coreano Bong-Jo-ho e com “The Meyerowitz”, do diretor Noah Baumbach, com Adam Sandler no elenco. Uma das surpresas dessa edição é a atriz Kirsten Stewart, da saga Crepúsculo, que exibe pela primeira vez na Europa o curta Come Swim, cujo assina a direção.

O festival apresenta ainda um trabalho em realidade virtual com título  “Carne y Arena”, do colecionador de prêmios Alejandro González Iñárritu, que permite aos espectadores adentrarem por alguns minutos nas  histórias de imigrantes que tentar cruzar a fronteira do M’exico com os Estados Unidos, na tentativa de melhorarem sua vidas. Após o festival de Cannes a obra de Iñárritu ganhará uma exposição na Fondazione Prada, em Milão.

 

Confira a lista da seleção oficial de filmes

Abertura

Les Fantomes D’Ismael, de Arnaud Desplechin

Competição

Loveless, de Andrei Zvyagintsev
Good Time, de Benny e Josh Safdie
You Were Never Really Here, de Lynne Ramsay
L’Amant Double, de Francois Ozon
A Gentle Creature, de Sergei Loznitsa
The Killing of a Sacred Deer, de Yorgos Lanthimos
Hikari, de Naomi Kawase
Geu-Hu, de Hong Sangsoo
Le Redoutable, de Michel Hazanavicius
Wonderstruck, de Todd Haynes
Happy End, de Michael Haneke
The Beguiled, de Sofia Coppola
120 Battements par Minute, de Robin Campillo
Okja, de Bong Joon-Ho
Aus dem Nichts, de Fatih Akin
The Meyerowitz Stories, de Noah Baumbach
Rodin, de Jacques Doillon
Jupiter’s Moon, de Kornél Mundruczó

Fora de Competição

How to Talk to Girls at Parties, de John Cameron Mitchell
Visages, Villages, de Agnes Varda & JR
Mugen Non Junin, de Takashi Miike

Un certain Regard

Barbara, de Mathieu Amalric
La Novia Del Desierto, de Cecilia Atan & Valeria Pivato
Tesnota, de Kantemir Balagov
Aala Kaf Ifrit, de Kaouther Ben Hania
L’Atelier, de Laurent Cantet
Fortunata, de Sergio Castellito
Las Hijas de Abril, de Michel Franco
Western, de Valeska Grisebach
Posoki, de Stephan Komandarev
Out, de Gyorgy Kristof
Sanpo Suru Shinryakusha, de Kiyoshi Kurosawa
En Attendant Les Hirondelles, de Karim Moussaoui
Lerd, de Mohammad Rasoulof
Jeune Femme, de Leonor Serrraille
Wind River, de Taylor Sheridan
Apres La Guerre, de Annarita Zambrano

Sessões Especiais

Claire’s Camera, de Hong Sangsoo
12 Jours, de Raymond Depardon
They, de Anahita Ghazvinizadeh
Promised Land, de Eugene Jarecki
Napalm, de Claude Lanzmann
Demons in Paradise, de Jude Ratman
Sea Sorrow, de Vanessa Redgrave
An Inconvenient Sequel, de Bonni Cohen e Jon Shenk

Sessões da meia-noite

Ak-Nyeo, de Jung Byung-Gil
Bulhandang, de Byun Sung-Hyun
A Prayer Before Dawn, de Jean-Stephane Sauvaire

Realidade Virtual

Carne y Arena, de Alejandro González  Iñárritu

Exibições comemorativas para o 70º aniversário

Top of the Lake: China Girl, de Jane Campion & Ariel Kleiman
24 Frames, de Abbas Kiarostami
Twin Peaks, de David Lynch
Come Swim, de Kristen Stewart

Berlinale festeja 67 anos com vigor juvenil – Muito cinema e nenhuma pipoca

Humberto Gollabeh, de Berlim

O tradicional Internationale Filmfestspiele Berlin, popularmente conhecido como Berlinale ou Urso de Berlim chegou a sua 67. edição e foi, de fato, uma festa do cinema. Foram exibibidos 399 filmes em 11 dias em mais de 20 salas de cinema e mais 334 mil ingressos vendidos. Com um programa de aguçar os sentidos, o festival exige que os espectadores se desdobrem para organizar suas listinhas e assistir todos os filmes prediletos. Algumas dessas listinhas continham pelo menos 20 filmes – a minha tinha 26 e, se engana quem pensa que é das tarefas mais facéis organizar a agenda para as exibições, mas é preciso fazê-la com cautela, pois nem sempre os cinemas são proximos uns dos outros.

Para facilitar a vida do espectador e movimentar a cena cinematográfica o Berlinale é dividido por mostras curatoriais e assim atende as expecativas de um público bastante eclético. As exibições aconteceram entre 09:00 e 23:00, mas a programação vai além das salas de cinemas. Neste ano foi montado o Audi Lounge próximo ao tapete vermelho que funcionou como café-bar onde foram apresentados concertos e sediou discussões com diretores. O festival aquece ainda as noites de inverno da capital alemã, com festas e eventos como o „kulinarisches Kino“ que mescla a magia da sétima arte com gastronomia, mas que fique bem claro, o banquete aconteceu antes da sessão. Durante o filme, comida só na tela.

Para os interessados em estrelas do cinema, o tapete vermelho foi um brinde ao olhos. Por ali, desfilaram nomes conhecidos do público minutos antes das pré-estréias. Neste ano passaram pelo célebre tapete em Berlim atrizes como Catherine Deneuve que concorreu com o filme Sage Femme, Patricia Clarkson que está no elenco do genial The Party, o ator Richard Gere e o elenco de The Dinner, Robert Pattinson devido ao The lost city of Z e Hugh Jackman-Wolwerine, com o tão aguardado Logan, uma das filas mais longas nessa edição do Berlinale.

Em 2017 o festival se tornou um pouco mais político, e nem poderia ser diferente. Existe uma série de temas de interesse global que precisam ser discutidos e, é natural que artistas e cineastas busquem respostas para tais situações e, que consequentemente isso se reflita

no fazer cinema. Um bom exemplo disso são os ótimos The other side of Hope, do finlandês Aki Kaurimäkis e Ghost Hunting, do diretor Raed Andoni, ambos ganhadores de Ursos de Berlim.

Também é bem verdade que o nosso cinema nacional está em alta. Foram doze filmes exibidos no festival de Berlim, mas que a verdade seja dita: -Vivemos em um momento histórico. Desde o começo do ano foram no total 27 produções exibidas em três grandes festivais internacionais de cinema: Sundance, Rotterdam e Berlim.

Visita ao Festival

Os ingressos geralmente começam a ser vendidos três dias antes da sessão no Centro do Festival na Potsdamerplatz ou on-line, mas podem ser adquiridos no dia da sessão no cinema, se ainda restarem ingressos disponíveis, o que raramente acontece. Por se tratar de um festival é aconselhavel se programar para comprar os ingressos antes. Para aproveitar o festival e evitar correria é possível assistir até quatro filmes por dia, mas é importante fazer uma seleção porque são muitas as opções.

Altamente recomendado é não escolher sessões que terminem 15 minutos antes do próximo filme começar. Em festival é bem comum que alguém da produção, ator ou diretor do filme responda perguntas feitas por um mediador e, algumas vezes até questionamentos da platéia, além de levar em consideraçao quanto tempo é necessario para se locomover de um cinema ao outro. Uma pausa de 45 minutos pode ser ideal para não perder o próximo filme.

Os cinemas não tem lugar marcado. Então, a regra é clara: quem chegar primeiro, se serve primeiro – escolhe os melhores lugares. Em hipótese alguma é permitida a entrada nos cinemas com bebidas ou comidas. Afinal de contas, é uma festival de cinema. Todos querem aproveitar o filme ao máximo e não ouvir o som de pipocas alheias. Sem contar que entre um filme e outro é possivel bebericar e comer alguma coisa para encarar a proxima sessão.

O que rolou no Berlinale

Como nossos pais – Mostra panorama

Lais Bodanzky, 2017

Brasil

Rosa é uma mulher que esta chegando aos 40 e enfrenta problemas familiares, tem uma relação turbulenta com mãe e a descobreta de um segredo de familia desconstroi toda a instabilidade que a personagem aparenta ter. Dialogos afiados temperam a trama. Maria Ribeiro nos convence e conduz pelos dilemas de Rosa, mas Clarisse Abujamra nos dilacera o peito com sua intrepretação triunfal.

Vazante – Mostra Panorama
Daniela Thomas, 2017

Brasil

Após o falacimento da esposa e o seu recém-nascido, Antõnio se casa com sua cunhada, uma menina de 12 anos. Filmado numa atmosfera preto e branco o filme se passa no Brasil do ano de 1821. O quarto longa de Daniela ganha força ao narrar as violências históricas sem cair em clichês e ao evitar direção de arte que tentar recriar tudo como se estivesse no século 18. Com silêncios constantes o longa seduz e conduz o espectador por uma história que poderia ser contada em dois minutos, mas para o bem dos que adoram cinema, não é.

Joaquim – Competição

Marcelo Gomes, 2017

Brasil

A ação acontece no Brasil colonial do século 18 e as leis ou regras são dadas por oficiais corruptos. No filme de Marcelo Gomes quem dá vida ao Tiradentes, com uma interpretação brilhante, é o ator Julio Machado que convence, comove e emociona. Joaquim começa uma expedição com objetivo de ganhar dinheiro para comprar a liberdade de sua amada, Preta – parte ficctional do longa que nos aproxima do Joaquim-homem e nos distancia um pouco do Tiradentes que conhecemos nos anos escolares. A mistura de sotaques, de povos e a miscinegenação na formação do povo brasileiro cria a atmosfera do filme e pontua uma pergunta: Quem é o revolucionário nessa história?

The Wound – Mostra Panorama
John Trengove, 2016

Africa do Sul

Xolani, um jovem trabalhador de uma fábrica se reúne com homens da sua comunidade nas montanhas de Eastern Cape para iniciar adolescentes no ritual de passagem para estado de homem adulto. O procedimento que consiste em uma circuncisão e jejum é, por vezes, associado a razões religiosas. Tudo corre muito bem até que Xolani tem um segredo descoberto e que pode colocar em risco toda a existência. É provaável que o filme terá exibição proibida em alguns países da África.

Berlin Syndrome – Mostra Panorama
Cate Shortland, 2017

Alemanha

Claire, uma mochileira australiana que está de passagem por Berlim conhece o sedutor Andy. Os dois tem um affair e o que deveria ser o começo de uma relação amorosa se torna em pesadelo. A diretora é acertiva no seu papel e passeia com tranquilidade pelo gênero thriller. Para os fãs do alemão Max Riemelt, o Wolfgang, de Sense 8 é um presente vê-lo ao lado da australiana Teresa Palmer, mas é preciso ter nervos de aço.

Sage Femme – Mostra Competititva

Martin Provost, 2017

França

Sage Femme em uma tradução livre para o português seria “Parteira”. Claire é uma parteira que trabalha numa clínica e vive seu o dia-a-dia em uma profissâo que vem desaparecendo na França. A parteira leva uma vida que se resume ao trabalho, os cuidados de seu jardim e ao filho que estuda medicina. Sua vida fica mais agitada com o surgimento de Beatrice, ex-mulher de seu pai, que o deixou há 30 anos. Beatrice, papel de Catherine Deneuve, sofre com um tumor no cerébro o que lhe garante pouco tempo de vida. Sage Femme não tem conflito claro, mas ainda assim o filme não se torna dessinteressante, pelo contrário.

Chavela – Mostra Panorama

Catherine Gund, Daresha Kyi

Estados Unidos, 2017

Uma série de entrevistas com amigos, contemporâneos, parceiros musicais e companheiras da cantora Chavela Vargas, nascida na Costa Rica, mas consagrada no México, compõem a personalidade carismática da artista abertamente lésbica.

Istiyad Ashbah (Ghost Hunting) – Mostra Panorama

Raed Andoni, 2017

França, Palestina, Suiça, Qatar

Um experimento feito numa sala vazia, onde os protagonistas reconstrõem um centro secreto de interrogação israelense. Esses palestinos recriam e revivem memórias dos momentos de humilhação que sofreram quando ficaram encarceirados nesses centros. O documetário decorre de um ensaio/preparação para um possível filme de ficção.

Dream Boat – Mostra Panorama

Tristan Ferland Milewski

Uma semana em um cruzeiro gay com festas e flertes. Temas como corpo, identidade e a busca por sexo se densenrolam no decorrer do filme. É interessante ver como os 5 protagonista que são do Oriente Médio, da India e da Europa lidam com as situações e entrevistas que acontecem no barco.

Ein Weg (Paths) – Perspectiva Cinema Alemão

Chris Miera, 2017

Alemanha

Quanto tempo dura um relacionamento? Seremos felizes para sempre? Quanto tempo dura o felizes para sempre?Andreas e Martin te uma relação cheia de autos e baixos e com o passar dos anos o filho do dois cresce. Ein Weg é um retrato sensível sobre o amor e relações.

Ganhadores dos Ursos de Berlim:

Urso de Ouro para melhor filme
On Body and Soul, de Ildikó Enyedi, Hungria

Urso de Prata – Grande Prémio do Júri:
Felicité, de Alain Gomis, França, Senegal, Bélgica, Alemanha, Líbano

Urso de Prata – Prémio Alfred Bauer da inovação:

Spoor, de Agnieszka Holland, Polônia, Alemanha, República Checa, Suécia, Eslováquia

Urso de Prata de melhor realizador:

Aki Kaurismäki por The Other Side of Hope, Finlândia

Urso de Prata de melhor atriz:
Kim Minhee em 
On the Beach at Night Alone, Coréia do Sul

Urso de Prata de melhor ator:
Georg Friedrich em 
Bright Nights, Alemanha

Urso de Prata de melhor argumento:
Sebastián Lelio e Gonzalo Maza por
Una Mujer Fantástica, Chile, EUA, Alemanha e Espanha

Urso de Prata de melhor direção artística:
Dana Nunescu, montadora de
Ana, Mon Amour, de Calin Peter Netzerm Roménia, Alemanha, França

Prêmio de melhor primeira obra
Summer 1993, de Carla Simón, Espanha

Prêmio de documentário:

Ghost Hunting, de Raed Andoni, França, Palestina, Suíça e Qatar

Urso de Ouro de melhor curta-metragem:
Cidade Pequena, de Diogo Costa Amarante, Portugal

Urso de Prata de melhor curta-metragem:
Ensueño en la Pradera (Reverie in the Meadow), de Esteban Arrangoiz Julien, México

Prémio Audi Curta-metragem
Street of Death, de Karam Ghossein, Líbano e Alemanha

Prêmio de melhor filme da mostra Panorama pelo júri de Fipresci (Federação Internacional de Críticos):

Pendular, de Julia Murat, Brasil

Solothurn Film Festival arrasta multidão as salas de cinema

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O Solothurn Film Festival completa 52 anos no auge do inverno suíço, apresenta sua programação de 19 a 26 de janeiro e arrasta um multidão para contemplar as produções audiovisuais do país. O popular Soloturner Filmtage é um dos mais renomados eventos culturais no país.

A veia pulsante do festival é a mostra Panorama Suisse que exibe filmes de todos os gêneros e formatos, além da presença do diretores que respondem questões através de debates e discussões mediadas, permintindo um aprofundamento sobre suas obras.  interessante notar como um país que possui não mais que 8 milhões de habitantes, tem uma produção tão diversificada.

Embora a temperatura tenha ficado entre -5C e 4C, o festival tem uma atmosfera aconchegante e clima mais do que propicío para se render, entre uma um filme e outro, às deliciosas sopas ou pecaminosos chocolates quentes. As exibições acontecem em nove cinemas espalhados por Solothurn, o que cria uma exclente oportunidade para explorar a cidade e fazer uma pausa para um café, não só por causa das baixas de temperatura, mas porque todo festival precisa ser regado a café.

O festival é dedicado as produções suíças, e por isso nem sempre possui legendas em inglês, mas em francês e alemão – uma pena para os que não dominam nem uma das duas línguas, pois o evento tem indiscutívelmente uma excelente programação. Não é incomum ouvir em outros países ou até em solos helvéticos que nao existe um mercado cinematografico por aqui – discordo!

De fato o pais é pequeno, mas também tem uma economia estável, o que proporciona uma série de co-produções e parcerias como outros o países. O fato da Suíça estar localizada no meio da Europa faz com o cineastas e filmmakers possam ir de um lugar para outro podendo trabalhar de maneira global, mas também, é fato que de que a meneira de consumir filmes locais também é outro. Muitos filmes e documentários são produzidos diretamente para televisão.

Geneva International Film Festival Tous Ecrans (FTE) movimenta a cena multimídia européia

Geneva International Film Festival Tous Ecrans celebra o universo audiovisual

Por Humberto Gollabeh | 2 de dezembro de 2016

O Geneva International Film Festival Tous Ecrans (FTE) que aconteceu em Genebra, na Suíça, de 4 a 14 de novembro, movimentou a cena multimídia européia e não foi dedicado somente aos populares filmes de longa metragem, mas fez um apanhado de produções audiovisuais. O FTE recebe uma média de 17 mil  visitantes por ano e é um paraíso para os amantes de séries de TV, produções online e realidade virtual.  São três as principais seções do festival: Feature film, dedicado aos longas e curtas de ficção, mostra competitiva televisão, dedicada às séries e videoclipes, e a mostra digital que apresenta as produções em realidade virtual e web séries.

O festival também apresenta filmes fora de competição, uma retrospectiva sobre a história do 3D com clássicos do cinema e highlight screenings que são os lançamentos do ano.

Os filmes em realidade virtual são de encher os olhos, de elevar a adrenalina e fazer os mais medrosos passar vergonha pelos gritos e sussurros que são externados, quando estão sentados na poltrona, mas seus olhos presenciam  uma simulação de queda livre em mais de 200 metros, a visão através do olhos de um inseto ou uma caminhada dentro de um desenho. Exibidos em uma sala-globo que foi construída do lado de fora do Théâther Pitöeff, os filmes têm duração de até 10 minutos e foram produzidos em países como França, Holanda, Suíça e  Estados Unidos.

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©Rebecca Bowring

Um dos pontos fortes do festival é a exibição das séries de TV. Tanto na mostra competitiva, quanto na mostra fora de competição alguns pilotos de série despertam o interesse pelo fato de serem desconhecidos do grande público e porque foram produzidas em países  como Romênia, Hungria, Bélgica, Islândia, Dinamarca, Finlândia e Suécia, fora do eixo Estados Unidos e Inglaterra. Nesta edição, o FTE  exibiu o piloto de ‘O Hipnotizador’, série co-produzida no Brasil.

Nossa seleção de séries:

Prisoners, 2017

Islândia

Linda é enviada para um presídio feminino depois de cometer uma agressão que deixou seu pai, um homem de negócios e político influente, em coma. Os laços familiares são quebrados e somente um segredo de família, que precisa ser revelado, pode inocentar a protagonista.

Golden Life, 2015

Hungria

A vida de uma família de classe média alta na Hungria, envolvida em corrupção para manter seu patamar social – uma vida de aparências e artimanhas para atingir os seus objetivos relacionados a poder, dinheiro e prestígio.

Mum, 2016

UK

Essa comédia britânica nos conduz pelo dia-a-dia de uma mãe que tenta reconstruir a vida com sua família após o falecimento do marido. Situações hilárias e que poderiam fazer parte do nosso cotidiano dão brilho à série.

Amigo’s, 2015

Bélgica

Cinco amigos que se conheceram na cadeia decidem montar um restaurante e retomar suas vidas após deixarem o presídio, mas nem tudo sai como o planejado.

 

Longa-metragens

Fizemos uma seleção de três filmes que merecem atenção pelas excentricidades. Dentre os longa metragens, assistimos ao francês Apnée,  ao argentino ‘A decent Woman’ e ao suíço ‘Late Shift’.

Apnée, França, 2016

Jean-Christophe Meurisse

Max, Céline e Thomas são três amigos que querem se casar, viajar, ter filhos e uma casa. Até aqui parece tudo bem simples, mas eles querem conquistar todos esses objetivos em trio e se chocam com burocracia e problemas financeiros na França, além de algumas situações bem absurdas. A comédia do diretor Jean-Christophe Meurisse tem um roteiro de esquetes, mas é baseado em diálogos improvisados, o que torna o filme ainda mais engraçado e, por vezes, desconexo da realidade.

A decent Woman

Lukas Valenta Rinner, 2016 

‘A decent Woman’ ou Los decentes, título em espanhol, do diretor austro-argentino Lukas Valenta Rinner, filmado na Argentina e produzido parte na Áustria e parte na Coréia do Sul, é uma boa surpresa no festival. Retrata a diferença de classes na Argentina e conta a história de um clube de naturistas de classe alta que busca viver seus prazeres dentro de um condomínio de luxo. O filme seduz e causa uma estranheza ao mesmo tempo, o que alimenta o interesse no desenrolar da trama.

Late Shift

Tobias Weber, 2016

Não esqueça de deixar o celular ligado e ativar o WiFi quando entrar no cinema. É isso mesmo! A regra é ficar de olho no filme, mas também no Smartphone. Late Shift é um filme interativo e quem toma as decisões pelo protagonista Matt  é o público. Matt é um estudante que trabalha em um estacionamento no turno noturno e acaba se envolvendo em um crime. A direção é de Tobias Weber e é o primeiro filme interativo que mistura ficção e game. Logo nas primeiras cenas algumas perguntas surgem na tela para que os espectadores votem e comecem a moldar a personalidade do personagem. No desenrolar das cenas os espectadores votam e o personagem adota as medidas votadas pela maioria. O longa, que pode durar de 60 a 90 minutos, deixa o público boquiaberto com a fluidez dos diálogos e da narrativa. Durante a sessão é possível ouvir os ruídos da plateia que comemora ou esbraveja as decisões tomadas e o curso da narrativa.  São 180 decisões e 7 finais diferentes. O longa também pode ser adquirido na Itunes Store e é preciso baixar os aplicativos Late Shift e CtrlMovie para interferir na narrativa e participar dessa experiência.

Vencedores do 22° Geneva Film Festival Tous Ecrans

  • Melhor Longa-metragem Life and a Day, Saeed Roostaee.
  • Menções Especiais do Júri:Sofia Exarchou, pelo filme Park e Khavn de La Cruz por Alipato – The Very Brief Life of an Ember.
  • Melhor Série de TV:  Richard Price and Steven Zaillian por The Night Of
    Menção Especial do Júri para Série de TV: Gábor Krigler por Golden Life.
  • Melhor filme em realidade virtual: Joost Jordens e Mike von Rotz por Transition
    Menção Especial do Júri para realidade virtual:  Jan Rothuizen, Sara Kolster, Juul Spee and Harm van de Ven por  Drawing Room e Oscar Raby por Easter Rising: Voice of a Rebel.
  • Melhor  Videoclipe: Paul Geusebroek por Panda(Desiigner)
  • Menção especial do Júri: Karim Huu Do por  Submarine (The Shoes ft. Blaine Harrison), e a Web série Le bateau de l’Enfer(‘Boat from Hell’) para Julian Nodolwsky e Joachim Barbier
  • Melhor Curta-metragem International: Mahdi Fleifel para A Man Returned,
  • Menção Especial do Júri: Loïc Darses por A Woman and Her Car.
  • Prêmio RTS para Melhor Curta-metragem: Héloïse Pelloquet por The Age of Sirens.

Internationale Kurzfilmtage Winterthur (IKFTW), o festival internacional de curtas da Suíça

Por Humberto Gollabeh | 3 de dezembro de 2016

O festival internacional de curtas de Winterthur celebra 20 anos de existência, se consolida como um festival mundialmente conhecido e apresenta um programa ambicioso de curta-metragens. Neste ano, o festival que aconteceu de 08 a 14 de novembro, trouxe duas mostras competitivas, a de curtas internacionais e a de melhor curta suíço, além da mostra Países Nórdicos com uma curadoria excepcional de filmes produzidos na Dinamarca, Suécia, Noruega, Islândia e Finlândia. O objetivo é descobrir como é a vida dos nórdicos, seu humor e o que tem sido produzido em curta-metragens. Também é fato que todo festival que se preze tem um homenageado, convidado de honra ou uma retrospectiva sobre alguém que tem um trabalho que contribui com o fazer cinema e o IKFTW faz bonito – a mostra Pessoa em Foco exibe o trabalho da portuguesa filmmaker e artista Salomé Lamas. Ainda no programa País em Foco são exibidos filmes curtos da Colômbia, e para agradar todos públicos, é possível assistir as mostras curatoriais Suíça histórica, Limite e Hiperlink e O  Jazz de antigamente. E, claro, Curta para o pequenos e jovens para a faixa etária de 6 a 12 anos. Um dos momentos mais esperados foi o CinéConcert: fascination ferrique, onde foram exibidas projeções de relíquias do cinema com o acompanhamento do Colégio Musical de Winterthur – um dos mais antigos da Europa com regência de Reto Parolari.

Visita ao festival

Ir ao cinema é sempre uma felicidade – quando o filme é bom, claro. Um festival de curtas exige muito mais paciência, concentração e esforço intelectual do  espectador. Em um período de 60 a 90 minutos são exibidos de 4 a 6 ou até 7 filmes. Aos quais é preciso ajustar o concentração na narrativa, na fotografia, na estética e nos diversos fatores que compõem a historia. Após o término de um filme, começa o outro e o outro e, assim sucessivamente. Em um festival de longas, se o filme não agrada é possível sair da sessão, mas em um festival de curtas é preciso aguentar firme na poltrona e torcer para que o próximo filme atenda as expectativas.

O festival tem um programa que agrada não só aos olhos, mas também aos ouvidos. De 9 a 12 de novembro, das 18:30 às 19:00, foi possível assistir as entrevistas feitas ao vivo com filmmakers no restaurante vegetariano Tibits. Estas entrevistas foram transmitidas pela rádio Stadtfilter e no bar-lounge do Festival, localizado no Cassino Winterthur, todas as noites um DJ tocou e fez o público esquecer das baixas temperaturas do lado de fora.

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© Susanne Hefti/ IKFTW

Para os que querem conhecer Winterthur e um pouco mais sobre a existência do IKFTW, que nasceu no dia 14 de novembro de 1997, é feito um tour, todos os dias às 10:00, pelo centro histórico da cidade, passando pelo Alte Kaserne, local onde aconteceu a primeira edição do festival e que recebeu pouco mais de 750 visitantes.

Em 2016 foram exibidos 14 filmes na mostra competitiva suíça, 40 filmes na competição internacional, 11 filmes na competição filmes de estudantes e 172 filmes nas mostras com curadoria que somam um total de 237 filmes. Por isso, decidimos assistir alguns filmes que teriam exibições no mesmo prédio para evitar deslocamentos, atrasos e, consequentemente, a perda da sessão. Além disso, optamos pelos filmes nórdicos, por causa das diversas diferenças culturais que nos separam do frio hemisfério norte.

Alguns do filmes que assistimos no festival:

 

Mother knows best, Suécia 

Mãe faz alguns comentários depois de conhecer o namorado do filho adolescente e é dentro do carro que a comédia se desenvolve. Os diálogos são rápidos e consistentes, o que garante ao filme riso e dramaticidade.

 

A simpler Life, Suécia – 

Um casal de meia idade tenta resolver os afazeres domésticos da maneira mais eficaz e com menor esforço possível.

 

Whaterverest – filme completo 

Kristoffer Borgli, 2012, Noruega

Marius Solem é um aficionado por música e faz upload de instrução para  a  produção de drogas legais no YouTube. Ele dança sob o efeito de algumas dessas drogas em busca de algo que ele mesmo não sabe o que é. O filme tem música de Tood Terje, compositor do youtube-hit Inspector Norse.

 

Ja vi elsker / Yes We Love

Hallvar Witzø, 2014, Noruega

Quatro pessoas, de idades diferentes e em lugares diferentes, estão em crise no feriado de Independência da Noruega. Um menino que não suporta a ideia de ter de marchar com os colegas, um herói de guerra que se recusa a ouvir o discurso de Independência, uma garota que não aceita o desinteresse do possível namorado e um homem que se tranca do lado de fora de uma cabana na gelada Svalbard.

 

Heavy Head

Helena Frank, 2010, Dinamarca

Monika leva uma vida solitária em seu apartamento, entre o som da torneira que goteja durante todo dia e a sedução de um mosquito. Sua rotina muda com a entrada de um desconhecido em seu apartamento.

 

Abba World, – filme completo

Jonas Åkerlund, 2013, Suécia

Colagens de concertos, gravações e viagens do grupo Abba.

 

1994 – filme completo

Kaveh Tehrani, 2010, Noruega 

Uma família iraniana chega, em meados de 1990, na Noruega e é muito bem recebida pela população durante a preparação para os jogos olímpicos de inverno de 1994. Após o término dos jogos, a população não aparenta ser tão amigável como antes.

 

Hätäkutsu / Emergency Calls

Pekka Veikkolainen, 2013, Finlândia

O filme expõe as fragilidades humanas através de gravações e oportunidades de vivenciar situações difíceis e obscuras do mundo ao nosso redor. Filme baseado em ligações reais e transmissões de rádio.

 

Miten marjoja poimitaan / How to Pick Berries

Elina Talvensaari, 2010, Finlândia

Um olhar sobre identidade em meio à globalização. Visitantes/imigrantes chegam no norte da Finlâdia e sua presença confunde os moradores da região.

 

Wrestling

Grimur Hakonarson, 2007, Islândia 
Dois homens fogem de suas rotinas de trabalho, através de competições do popular esporte wrestling, até descobrirem o amor que sentem um pelo outro.

 

CinéConcert: A magia do cinema

Um dos pontos mais esperados, e com certeza uma celebração ao cinema, foi o CinéConcert: Fascination ferrique que balançou e aqueceu o coração dos espectadores. No início da apresentação, o especialista em História da Música de Entretenimento e maestro, Reto Parolari, explicou que não usariam nenhuma gravação para fazer o som de trens ou de alavancas, mas que toda a música e sonoplastia seria feita por membros da Orquestra do Musikkollegium de Wintherthur, a mais antiga da Suíça, fundada em 1875. Dentre as projeções estavam relíquias como L’arrivée d’un train à la gare de la Ciotat, de Louis Lumière de 1897, França e  Abreise der italienischen Arbeiter in die Ferien, Bahnhof Biel,  de William Piaso de 1860, Suíça. O efeito das projeções, somado ao desempenho de Parolari junto à orquestra, agradou tanto o público que, antes mesmo do término da exibição, os aplausos foram constantes. Foi sublime ver o contentamento da platéia que se levantou para aplaudir no final, prática incomum na Suíça.

 

Vencedores do IKFTW 2016 

Premiação para filme internacional e suíço:

  • Grande Prêmio Internacional para curta na mostra competição, CHF 12’000: A Man Returned,Inglaterra, Holanda, Libano, Dinamarca, direção Mahdi Fleifel;
  • Prêmio Promocional International Competição,  CHF 10’000: NO’I, Bélgica, Vietnam, 2016 para Aline Magrez;
  • Prêmio de Melhor Filme Suíço, CHF 10’000: E.B.C 5300m, 2015, para Léonard Kohli;
  • Melhor Câmera Suíço,  CHF 11’500: Laurence Bonvin pelo trabalho de câmera desenvolvido para o filme de sua direção Avant l’envol, 2016;
  • Melhor filme eleito pelo público, CHF 10’000: Digital Immigrants, Suiça, 2016;

Fora de competição

  • Prêmio Juventude, CHF 500 : Mother Knows Best, Suécia, 2016, Mikael Bundsen